Trilha da Lagoinha do Leste e Morro da Coroa

Como fazer, qual o melhor caminho e quando visitar esse paraíso em Florianópolis?

12 de Agosto de 2025

A primeira vez que fiz a trilha da Lagoinha do Leste, fui com meu pai. Tinha saído sol depois de vários dias de chuva, e a trilha estava bem escorregadia em alguns trechos por causa da lama. Confesso que escorreguei várias vezes! Mas a cada curva, a paisagem se revelava ainda mais bonita, e a expectativa de chegar à praia só aumentava. Quando finalmente avistamos o mar e aquele cenário selvagem, entendi por que tanta gente considera essa uma das trilhas mais especiais da Ilha.

Se você quer conhecer a Lagoinha do Leste, é importante se atentar às diferentes formas de chegar até lá. Tem caminho mais curto e fácil, e têm outros mais difíceis mas recompensadores já que te levam ao Morro da Coroa e à famosa Pedra do Surfista. Além disso, vale se ligar na riqueza da fauna e flora local e qual a melhor época e clima para fazer a trilha. Vou compartilhar aqui tudo o que você tem de saber antes de ir, caso queira ir sozinho, mas se você prefere uma experiência guiada, com mais segurança e tranquilidade, você pode vir conosco! Dá uma olhada no Nosso Tour, verifica nosso calendário de disponibilidade e cola junto!

Nosso guia Isaac posando na Pedra do Surfista, Pedra do Surfista, ponto panorâmico com vista privilegiada da Praia da Lagoinha do Leste.

Como chegar?

A Praia da Lagoinha do Leste pode ser acessada por duas trilhas principais, ambas no sul da Ilha. A primeira parte do bairro Pântano do Sul, no final da Rua Manoel Pedro de Oliveira, onde é possível estacionar o carro nas proximidades. Essa trilha é mais curta e direta (cerca de 2,3 km), mas também mais íngreme e escorregadia em dias úmidos. É a que eu mais costumo fazer, e, apesar de exigir um pouco de preparo físico, é bem sinalizada e relativamente rápida (cerca de 1 hora e 15 minutos).

A segunda opção é sair da Praia do Matadeiro, acessada a partir da Armação (é preciso atravessar o rio ou a pontezinha a pé logo no início). Essa trilha tem cerca de 4,5 km e segue por cima do costão, com visual incrível do mar e das formações rochosas. É mais longa, mas com menos inclinação e ótima para quem quer curtir o caminho com mais calma. Vale lembrar que essa trilha não forma um circuito: se você for por um caminho e voltar pelo outro, vai precisar organizar o deslocamento entre os pontos de início e fim, especialmente se estiver de carro.

Independentemente da trilha escolhida, o esforço vale cada passo e o visual da chegada à Lagoinha sempre compensa. Mas se você espera tirar as famosas fotos sobre as pedras, ainda tem chão!

Morro da Coroa e Pedra do Surfista

Se você já viu alguma foto aérea da Lagoinha do Leste nas redes sociais, é muito provável que ela tenha sido tirada do alto do Morro da Coroa, também conhecido como Pedra do Surfista. Localizado no canto direito da praia (sentido Pântano do Sul), esse mirante natural oferece uma das vistas mais impressionantes da ilha: do alto, é possível ver toda a extensão da praia, a lagoa, as montanhas ao redor e o mar se perdendo no horizonte.

O nosso tour “Trilha Guiada à Lagoinha do Leste” oferece guias de turismo profissionais e credenciados que podem tornar a sua experiência mais segura, tranquila e rica de informações. Mas se preferir fazer a trilha sozinho, existem duas opções para chegar ao topo:

    • Da praia ao Morro da Coroa – A maneira mais simples de se acessar o morro é pela praia da Lagoinha do Leste, com uma subida íngreme de cerca de 30 minutos.

    • Trilha do Pântano do Sul com bifurcação à direita – Um caminho alternativo menos sinalizado, indicado para quem tem mais experiência em trilhas.

Turista Inglês posando na Pedra do Surfista, Morro da Coroa.

Mas atenção! Em uma vistoria recente realizada pela Defesa Civil de Florianópolis, foi identificado risco de tombamento da rocha devido a processos erosivos naturais. Como medida preventiva, o acesso à Pedra do Surfista foi limitado, e a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) instalou placas no local para alertar os visitantes sobre os riscos, não recomendando a subida na famosa pedra. Por essa razão, é fundamental que quem visita a trilha respeite as orientações da Floram ou do guia, especialmente em dias de chuva, vento ou logo após períodos chuvosos, quando o terreno fica ainda mais instável e escorregadio. E se for descer o Morro da Coroa até a praia, muito cuidado com as encostas íngremes. Em alguns locais é recomendado que se desça a trilha sentado ou usando quatro apoios.

Fauna local

Além das belezas naturais, a trilha da Lagoinha do Leste corta uma vasta área de Mata Atlântica, já que está localizada no Parque Municipal da Lagoinha do Leste, uma das muitas Unidades de Conservação da Ilha. O parque serve como habitat para diversos animais terrestres. Nas florestas densas e nas áreas de transição próximas à trilha, é possível encontrar tatus, macacos, e pequenos roedores, que desempenham um papel importante no equilíbrio do ecossistema local. O mais comum de se avistar, no entanto, é o Sagui do Tufo Preto, que apesar de fofinho, é uma espécie exótica invasora, introduzida na Ilha por ação humana, geralmente como animal de estimação e solto na natureza, e hoje compete com espécies locais, predando ovos e filhotes de aves. Por essa e outras razões, não devemos alimentá-los.

Encontro curioso entre uma criança e um sagui no caminho para a Lagoinha do Leste.

E por falar em aves, são mais de 150 espécies registradas no parque, incluindo gaivotas, garças e gaviões. Esses pássaros são uma atração à parte para os visitantes. Alguns são mais raros de se ver, como os tucanos, mas outros são bastante comuns, como a Gralha Azul.

Além disso, a lagoa que dá nome ao local é lar de peixes e pequenos crustáceos, e no mar, é possível avistar golfinhos e tartarugas marinhas, e no inverno, peixes e a Baleia Franca são vistos junto à costa.

Também é preciso ficar ligado com algumas espécies de cobras e aranhas típicas da Mata Atlântica. Entre as cobras, as mais comuns são a Jararaca (Bothrops jararaca), que é venenosa, e espécies inofensivas como a caninana and the dormideira. Já entre as aranhas, é possível encontrar a Armadeira (Phoneutria sp.), considerada agressiva e venenosa, além de aranhas-caranguejeiras, que embora grandes, geralmente não representam risco grave. Para evitar acidentes, recomenda-se usar calçados fechados, calças compridas, evitar colocar as mãos em locais escuros ou sob pedras e troncos, e manter-se sempre atento ao caminhar. Caso ocorra uma picada, é essencial buscar atendimento médico imediato e, se possível, identificar o animal que causou o acidente.

Turista estadunidense com espécie de aranha nativa da região.

Flora e História

Nem sempre a Lagoinha foi o paraíso verde que conhecemos hoje. Durante boa parte do século XX, a área foi usada para pastoreio e agricultura, com a vegetação nativa desmatada para dar lugar a pastagens. A criação do Parque Municipal da Lagoinha do Leste marcou um ponto de virada: com a proteção legal e a interrupção dessas atividades, a vegetação pôde se regenerar naturalmente. Atualmente, a área exibe diferentes estágios de regeneração, visíveis ao longo da trilha.

Trecho de mata fechada na trilha do Pântano do Sul que leva ao Morro da Coroa.

Melhor época para visitar

A Lagoinha do Leste pode ser visitada o ano inteiro, mas escolher a época certa faz toda a diferença na experiência. Tudo depende do que você está buscando: mar mais quente, clima mais ameno, trilha mais tranquila ou menos chuva. No geral, abril e maio se destacam como os melhores meses para fazer a trilha, reunindo clima ameno, temperatura do mar agradável (e da Lagoinha então, nem se fale! Vira uma jacuzzi!) e menos risco de chuva. Mas se você está planejando em outra época, não se preocupe! A seguir, conto como é a experiência em cada estação.

    • Outono (abril e maio) costuma ser a época mais indicada. Os dias são menos abafados, o volume de chuva diminui bastante em relação ao verão, e o mar ainda está com temperatura agradável para banho. Além disso, há menos movimento nas trilhas e nas praias, o que deixa o passeio mais tranquilo. É uma ótima escolha para quem quer caminhar com conforto e segurança.
    • Verão (dezembro a março) é a alta temporada em Florianópolis. Os dias são longos, quentes e o mar fica perfeito para nadar. Mas vale ficar atento: é também o período com maior chance de chuvas rápidas (geralmente no fim da tarde), o que pode deixar a trilha mais escorregadia. Leve bastante água, use roupas leves e não esqueça o protetor solar.
    • Inverno (junho a agosto) traz temperaturas mais amenas e menos chuva, o que torna a trilha mais confortável para quem prefere caminhar sem calor. A desvantagem é que o mar fica bem frio, e os ventos costumam ser mais fortes, especialmente nos pontos altos da trilha. Mesmo assim, é uma boa época para quem quer fugir de aglomerações e curtir a natureza em silêncio.
    • Primavera (setembro a novembro) marca a transição entre o inverno seco e o verão chuvoso. A paisagem fica especialmente bonita com a vegetação florida, mas o tempo pode ser mais instável, com maior chance de chuvas inesperadas e céu nublado, especialmente em outubro e novembro.

Evite dias chuvosos: além de deixarem o trajeto mais escorregadio, as trilhas podem ficar perigosas em alguns trechos, principalmente em áreas íngremes ou com barro. O acesso à Pedra do Surfista (também conhecida como Morro da Coroa), um dos pontos mais procurados do passeio, se torna ainda mais arriscado em condições úmidas ou com ventos fortes.

Nosso Passeio Guiado

No fim das contas, a Lagoinha do Leste é muito mais que uma trilha: é uma experiência única que conecta você à natureza, desafia seu corpo e recompensa sua alma com uma das paisagens mais incríveis de Florianópolis. Para quem busca aproveitar essa aventura com conforto, segurança e a tranquilidade de um roteiro planejado por quem conhece cada detalhe, o nosso tour guiado é a escolha ideal. Nosso passeio inclui a trilha do Pântano do Sul até a Lagoinha do Leste and the subida ao Morro da Coroa, oferecendo uma experiência completa e enriquecedora. Os grupos saem às 9h00 na baixa temporada e às 8h00 durante a temporada no verão, com valores a partir de R$ 200 por pessoa, dependendo do tamanho do grupo. A reserva pode ser feita diretamente pelo nosso site, facilitando seu planejamento.

Turista brasileiro contempla a vista do alto da Pedra do Surfista, na Lagoinha do Leste.

Passeio de Barco

Outra forma de chegar ou sair da Lagoinha do Leste é de barco, partindo da Praia do Pântano do Sul. O trajeto pelo mar oferece uma perspectiva única da costa e pode ser uma alternativa para quem deseja evitar o esforço da caminhada ou simplesmente aproveitar um passeio diferente. No entanto, o serviço, que custa cerca de 70 reais por pessoa, é mais comum durante a temporada e depende das condições climáticas e do mar, sendo mais seguro em dias de tempo calmo. Ou seja, nem sempre dá pra contar com essa opção, então é melhor estar com o leg day em dia, porque a trilha é considerada bastante difícil.

Volta da trilha de barco para o Pântano do Sul.

O que levar?

Não importa como você escolha aproveitar essa aventura, lembre-se de levar água, lanches (apesar de, na alta temporada, haver quiosques que vendem comidas e bebidas, os preços são salgados), protetor solar e roupas apropriadas. Mais importante ainda, contribua para a preservação deste paraíso levando todo o seu lixo de volta. A Lagoinha do Leste é um verdadeiro presente da natureza, e sua proteção depende do cuidado e respeito de cada pessoa que a visita.

Conclusão: desafio, preparo e recompensa

A trilha da Lagoinha do Leste é um daqueles passeios que combinam desafio físico e recompensa visual. Não importa se você vai pela rota curta e íngreme do Pântano do Sul ou pelo trajeto mais longo e panorâmico da Praia do Matadeiro: o percurso exige preparo físico razoável, atenção em dias úmidos e disposição para enfrentar subidas e descidas. Levar água, lanches leves, protetor solar e calçado adequado é fundamental para garantir conforto e segurança.

E, depois de um dia inteiro de imersão na natureza, nada melhor do que repor as energias. No Pântano do Sul, você encontra ótimas opções para finalizar o passeio com chave de ouro, com um pastel e caldo de cana logo no início/fim da trilha ou no tradicional Bar do Arante, famoso pelos recadinhos nas paredes, frutos do mar frescos e boa cerveja ou caipirinha!

Bar do Arante, Pântano do Sul.

Gabriela Scherer Simões Lopes

Autora

Sou estudante de cinema, apaixonada por cultura e histórias que conectam pessoas. Danço há mais de sete anos e já explorei sete países em busca de novas inspirações. Entre uma foto e uma boa conversa, sigo vivendo a arte todos os dias.

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