Vale a pena ficar no centro de Florianópolis?
Se, além das praias, você gosta de história, cultura, festas ou até mesmo de um bom bar ou pub local, a resposta é: sim! Leia este artigo antes de reservar um hotel.
13 de outubro de 2023
Há alguns dias, enquanto guiava um grupo em um bike tour pela Avenida Beira-Mar, um dos turistas me perguntou: “É seguro ficar em um hotel no centro de Florianópolis?”. A resposta não é tão simples, então vamos analisar a lista de coisas que você deve levar em consideração antes de escolher seu hotel na cidade.
História
O centro da cidade abriga muitos museus. A história indígena é retratada no Museu do Homem do Sambaqui enquanto parte da história negra da cidade pode ser conhecida no Palácio Cruz e Sousa. O museu recebe esse nome em homenagem ao primeiro jornalista e poeta negro de Santa Catarina e abriga sua coleção. O palácio foi sede do governo estadual até 1985 e, ainda hoje, preserva sua arquitetura e interior da época.
A história e a geografia da cidade, a imigração açoriana e a formação social dos ilhéus estão muito bem apresentadas no Museu da Cidade. Localizado no antigo prédio da Prefeitura e Cadeia Pública, o museu é bastante interativo e informativo, tornando-se uma ótima opção para uma visita em família. O café do local também é uma boa escolha.
Uma boa alternativa para conhecer a história e a cultura da cidade de forma rápida e divertida é fazer um tour guiado. Uma das opções é o nosso Walking Tour. É uma caminhada de 2 horas interpretando o centro histórico e seus monumentos com a ajuda de um historiador local. Para completar, o passeio termina nos melhores bares da Ilha.
Cultura
O centro histórico de Florianópolis é um museu a céu aberto. A cultura e a tradição dos imigrantes açorianos aparecem nos mosaicos do chão da Praça XV de Novembro, mas também podem ser vivenciadas nos jogos de dominó em frente à Catedral Metropolitana de Florianópolis. No Mercado Público de Florianópolis você pode conhecer a renda de bilro e as rendeiras locais. No Largo da Alfândega há até batalhas de rap.
Aos sábados, o centro também recebe uma roda de samba acompanhada de feijoada no Canto do Noel.
Bares e clubes
A vida noturna no centro de Florianópolis é bastante agitada. Os destaques são a Rua Victor Meirelles e a Avenida Hercílio Luz, onde ficam a maioria dos pubs da região central. Ao chegar lá, basta caminhar um pouco e encontrar o bar que mais combina com o seu estilo. O meu favorito é o Bugio, que tem uma vibe underground e sua própria cerveja artesanal premiada. O bar também tem mesas no meio da rua, que é fechada para pedestres. Boa cerveja, ótima música e a atmosfera perfeita.
Se você procura algo mais “gourmet” para tomar um bom drink, sugiro os bares perto do Beira Mar Shopping Mall, em uma área mais nova e sofisticada do centro da cidade. Se ainda preferir continuar no centro histórico, o bar de coquetéis No Class é uma ótima alternativa. E, ao contrário do que o nome sugere, é bem elegante.
Bom, digamos que você já aqueceu no Bugio ou no No Class e está pronto para aproveitar a noite. Você nem precisa pegar um Uber para chegar ao Don’t Tell Mama, é só caminhar cerca de 100 metros. Nesse clube, a festa pode durar até as 4 da manhã. Vá lá e nos conte o que achou, mas, por favor: don’t tell mama.
Segurança
Já te disse que o centro de Florianópolis realmente vale a visita. Mas agora vamos falar de segurança. Floripa é conhecida como a capital mais segura do Brasil. Isso não significa, porém, que você não vá ver os problemas que todos os grandes centros urbanos brasileiros enfrentam: população em situação de rua, desigualdade social, poluição e saneamento básico precário, por exemplo.
A taxa de criminalidade, como roubos e furtos, é baixa. Durante o dia, o movimento nas ruas transmite uma sensação de segurança. À noite e aos domingos, quando o comércio local fecha, há uma sensação maior de insegurança.
Cuidados básicos de segurança, como caminhar apenas em ruas e horários movimentados, podem garantir sua tranquilidade. Mas se ainda assim você não se sentir seguro, um passeio guiado pode ser uma boa opção.
Praias e transporte
Bom, infelizmente o centro não tem mais praias próprias para banho. A poluição nas baías Norte e Sul torna a natação impossível, mas há um pôr do sol de tirar o fôlego, especialmente com a vista para a ponte Hercílio Luz.
Então, se você ficar no centro da cidade, precisará se deslocar para aproveitar as muitas praias paradisíacas da Ilha de Santa Catarina. O bom é que o centro fica a uma curta distância de quase todas as praias. Em um dia sem trânsito, um trajeto de 20 a 40 minutos leva você a qualquer lugar que quiser.
Uma boa opção é alugar um carro. Mas tenha muito cuidado com o trânsito. Para evitar ficar preso no carro e estragar suas férias, uma possibilidade é o nosso passeio de carro privativo. Nesse passeio, o guia local saberá como levá-lo às melhores atrações, considerando fatores como trânsito, clima e distância.
Onde ficar no centro de Florianópolis?
Se você já está convencido em ficar no centro da cidade, é hora de reservar um hotel, hostel ou Airbnb.
A Avenida Beira-Mar reúne as opções mais variadas e sofisticadas. O Hotel Majestic e o LK Design são ótimas escolhas, com uma bela vista para a baía e o pôr do sol, enquanto o Castelmar oferece a melhor vista para a Ponte Hercílio Luz.
Como opção mais acessível, sugiro o Innbox Hotel e Hostel, que fica exatamente na esquina dos melhores bares do centro histórico. Para outras opções, vale a pena acessar o booking.com.
Conclusão
O centro histórico é uma ótima opção se você quer visitar atrações culturais, como museus e festas de samba, ou se quer aproveitar a vida noturna em bares e clubes. Também é uma excelente alternativa se você quer explorar toda a ilha. Você pode facilmente chegar aos quatro cantos da ilha em, no máximo, 40 minutos de carro sem trânsito.
No entanto, se o seu objetivo é sentar na praia para tomar água de coco, cerveja e comer camarão, eu sugiro escolher um hotel em uma praia da sua preferência. Mas vale a pena separar pelo menos um dia para conhecer o centro da cidade e sua história.
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Isaac Ribeiro
Autor
Como historiador, estou interessado em trazer à luz histórias que foram ocultadas do conhecimento público. Como um boêmio poliglota, gosto de compartilhar uma xícara de café ou uma cerveja com quem estiver disposto a se sentar comigo à beira-mar.
